Eu não tô na Vogue

Se você, assim como eu, não se vê nas páginas das revistas de moda, seja bem vinda!

Confissões de uma ex-shopaholic

Por muito tempo eu busquei soluções mágicas para a minha vida. Eu queria muito encontrar algo externo que provocasse uma revolução interna. O que eu mais desejava era me sentir bem comigo mesma, deixar aquela ansiedade para trás. Durante esse período eu me tornei compulsiva por diversas coisas, mas a que merece destaque nesse texto é a compulsão por compras. Eu passei cerca de 6 ou 7 anos da minha vida estudando ao lado de um shopping, portanto todas as minhas atividades eram feitas por ali mesmo. Eu ia comer no shopping, passear no shopping, assistir um filme no shopping, cabular aula no shopping.

Obviamente todo esse tempo dentro daquele templo do consumo me fez achar que comprar uma coisinha de vez em quando era ok. O problema é que essas “coisinhas” passaram a ser compradas semanalmente e, muitas vezes, diariamente. A compra por impulso cresceu. As pessoas me reconheciam como uma pessoa que tinha necessidade de comprar para viver, se acalmar, ser feliz, faziam piadas e davam apelidos relacionados a essa compulsão. Elas não estavam enxergando quem eu realmente era, apenas uma parte totalmente descontrolada de mim mesma.

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Eu vivia tentando compensar uma perda, uma tristeza, com roupas, sapatos, bolsas… Muitas dessas coisas eu usei uma única vez, outras nem tiveram suas etiquetas retiradas. O prazer que acompanhava a compra era muito efêmero, por isso eu precisava cada dia mais de mais coisas para me darem aqueles minutos de “felicidade”. O contato com diferentes realidades, de pessoas que tinham muito mais do que eu e de outras que tinham muito menos, me fez perceber como eu estava vivendo uma coisa totalmente fora da realidade. Aquelas blusas não iriam trazer nada do meu passado de volta e os sapatos não me levariam a lugar nenhum se eu, dentro de mim, não soubesse para onde queria ir. Depois de muito trabalho de autoconhecimento eu finalmente posso afirmar que sou uma EX-compradora compulsiva.

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Hoje eu consigo perceber que um vestido novo pode sim me deixar feliz por alguns momentos, mas que ele não vai resolver a minha vida. Minhas compras passaram a ser muito mais conscientes já que a última coisa que eu quero nesse momento é ter centenas de peças que não fazem sentido se acumulando no meu armário. Sim, porque quando compramos para compensar alguma questão emocional essas coisas não fazem sentido algum para a nossa vida. Essas peças compradas não refletem nossos objetivos, desejos ou estilo de vida, elas são meramente uma distração para não encararmos de frente o que realmente importa. E o que realmente importa certamente não está em nenhuma prateleira de nenhuma loja, mas sim muito mais perto do que você pode imaginar. É preciso olhar para dentro de si e ter coragem para conviver com suas qualidades, defeitos, sonhos… Com  tudo aquilo que realmente nos traz momentos sinceros e felizes! :)

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E as suas últimas compras foram feitas por impulso ou de maneira consciente?


SoHo e Chelsea

Como disse no último post (sobre os brechós de Williamsburg), hoje vou dar algumas dicas de lojas que vendem roupas novas! Sim, porque eu sei que ainda existe muita gente que detesta brechós, no caso, eu vivo com duas delas por isso entendo bem quem não gosta. E é claro que super respeito essas pessoas, afinal, o que seria do amarelo se todos gostassem de azul, né?

Então, vamos lá! Eu tenho um certo pavor da 5a Avenida, que é onde estão localizadas muitas lojas bacanas, mas é tão cheia que, para mim, é insuportável. Sendo assim, a segunda opção para compras na lista: SoHo. Quase tão cheio quanto a 5a avenida, o SoHo me parece mais democrático, já que lá é possível encontrar de Forever 21 a Marc Jacobs, passando por algumas lojinhas de estilistas locais. Mas H&M e Zara todo mundo conhece, por isso eu vou falar de algumas lojas menos populares (pelo menos pra mim). 

A melhor descoberta da viagem foi, sem dúvida nenhuma, a Aritzia. Entrei lá sem expectativa nenhuma e logo que via primeira etiqueta de preço continuei circulando pela loja apenas porque era muito bonita, pois já vi que não era muito pro meu budget. Mas daí, no clima “experimentar não paga” eu me ferrei.

Muitos vestidos, camisas e blusas em seda com corte e caimento impecáveis. Combina isso com duas vendedoras fofas e atenciosas e você tem o saldo negativo do meu cartão de crédito. Brincadeira da parte do negativo, mas foi o meu maior gasto na viagem e, possivelmente, meu maior gasto em uma única compra feita com meu pobre dinheirinho (tá, pensando melhor, isso é mentira, mas deve estar entre as top 3). Maaas eu não comprei as coisas na hora! Deixei tudo “on hold” até o dia seguinte e passei um dia inteirinho pensando se deveria ou não compra-las. (O “on hold” e a possibilidade de devolver uma compra fazem dos EUA o lugar mais mágico do mundo para compradoras compulsivas em rehab como eu) Enfim, me convenci de que as peças valiam o investimento já que eram de excelente qualidade e voltei lá no dia seguinte sem culpa nenhuma! Com muito autocontrole para não pegar mais nada, saí de lá com um blazer, uma regata de seda e uma saia preta.

Resumo da ópera: Aritzia é parada obrigatória, pois tem MUITA coisa legal, com materiais bons e, se comparar com os preços do Brasil, ela nem fica tão cara assim.

Uma outra loja que eu não sabia que existia é a GAP 1969. Eu sou meio suspeita para falar da Gap pois adoro a marca, mas essa loja em especial é mais focada nos jeans, até tem algumas malhas e camisetas, mas o foco mesmo é calça! Me senti no paraíso, considerando que a Gap parece ser a única marca do mundo que te dá OPÇÕES de modelos de calças e não apenas as malditas skinny. Eu amo a coleção Long & Lean e adquiri duas peças: um jeans idêntico ao que eu tenho só que em um tamanho menor (yayyy!) e uma calça azul marinho PERFEITA (foto). Super recomendo a ida, pois os produtos da Gap são de ótima qualidade e, especialmente os jeans, duram bastante. Tenho uma calça que comprei em Paris em 2008 e ela ainda está perfeita (só que eu emagreci, e ela não).

 

Como não poderia faltar: sapatos! Comprei um loafer (que está sendo chamado de slipper pelas revistas brasileiras) na Steve Madden e um dockside (sim, eles voltarão com tudo na primavera) na David Z. A Steve Madden é ótima e parece praga em NY, tem loja em todo canto. O atendimento é terrível, mas os sapatos são beeeem legais e com um preço justo. Na Broadway tem duas lojas: a Steve Madden e a Steven by Steve Madden. Sinceramente, eu não sei qual a diferença das duas, mas a primeira é melhor. Já a David Z. é uma daquelas lojas que vende de tudo um pouco, de UGG boots a Dr Martens. Para os moços, uma variedade enorme de Vans! O meu dockside é da Minnetonka, uma marca que só faz sapatos cheio de franjas e com essa pegada étnica. 

Além disso, tem muito mais coisa na Broadway, na Mercer Street (paralela à Broadway), e nas adjacentes: Prince, Spring e Broome Street. Não deixe de entrar na Prada (Prince com Broadway) que é incrível. Ninguém nem olha na tua cara (na minha pelo menos, né), mas é ótimo porque você pode passear sem compromisso e admirar tanto as roupas e bolsas quanto a arquitetura, que é a verdadeira estrela dessa loja em especial.

 

(foto retirada desse flickr aqui)

Prontas para partir para o Chelsea?

Definitivamente meu bairro preferido em Manhattan. Elegante e feio ao mesmo tempo, Chelsea é conhecido como o “bairro gay”, ou seja, o que tem de homem bem vestido andando por ali não é brincadeira! Ali está a loja/escritório/casa da Diane Von Furstenberg, que fica em um prédio todo modernoso, o High Line, que é um parque que fica em cima de uma linha de trem desativada e o Chelsea Market. No Chelsea Market tem lojas diversas, uma Anthropologie bem grandona e um lugar que sempre tem “sample sale” (pelo que eu entendi é uma espécie de venda pop up, dura poucos dias e os produtos têm super descontos, mas cada vez que eu fui lá tinha uma marca diferente então não tem como dizer se é bom ou não, depende).

Mas não é só de lojas de roupa que o Market é feito! Alguns restaurantes, mercados de alimentos, uma papelaria cheia de tranqueiras interessantes e a parte mais legal: o artists and fleas. O a&f funciona regularmente em Williamsburg, mas está com essa versão pop up ali no Chelsea até o final de maio. Foi ali que eu encontrei essa designer de joias que me fez sonhar com suas peças durante semanas, a Marina Pecoraro. Comprei  só uma pulseira porque já estava no último dia de viagem e completamente falida mas bem que queria ter comprado tudo! As joias são super delicadas e charmosas e até as caveirinhas são um amor! Mas o melhor mesmo é que ela entrega no Brasil por apenas U$ 5. Deem uma olhada na página da etsy e na fanpage da moça, as coisas são baratas e valem o investimento.

 Espero que tenham gostado! Esses foram só alguns destaques, quem quiser mais dicas pode me perguntar pelos comentários ou pelo e-mail eunaotonavogue@gmail.com

;)


Vintage Williamsburg

Já estou de volta ao Brasil, mas ainda tenho muuuuito para contar da viagem. Portanto, nas próximas semanas o assunto ainda é New York, New York.

Não sei se cheguei a comentar em outro post, mas eu não fiquei hospedada em Manhattan por uma que$tão bá$ica: $$$. Procurei muito, mas não consegui encontrar nada que coubesse no meu budget. Como minha prima estava morando (e amando) no Brooklyn decidi dar uma procurada por ali, e acabei em um apê muito bem localizado em Williamsburg, o pedaço mais hypado da região. Estava super preocupada por estar muito longe de onde seria o meu curso, mas tinha 4 linhas de metrô por perto, o que facilitava muito meu acesso a Manhattan. No final das contas, acho que foi a melhor coisa que eu fiz! Adorei a região, que é cheia de bares, restaurantes, cafés fofura e… brechós!

Se você torceu o nariz, pode destorcer, pois os brechós de lá são beeem diferentes. Uma amiga do curso que é viciada em coisas vintage me arrastou para um dia de compras pelo bairro. A seguir, o nosso roteiro.

Vamos começar pelo astro da região: Beacon’s closet


Esse lugar é uma loucura! A loja de Williamsburg fica em um galpão enorme e é lotada de araras circulares, em que as peças são separadas por cor ou, em alguns casos, por tipo (como no caso das jaquetas de couro e calças). Os sapatos ficam em cima dessas araras (o que não facilitou muito a minha busca, devo admitir) e as bolsas, lenços e chapéus ficam em uma seção só deles. Devo ter ficado ao menos umas 2 horas lá e não vi nem metade das coisas. Mesmo assim, consegui arrematar algumas coisas bem bacanas. Comprei um peep toe cinza por U$17,50, uma malha de cashmere da theory. (que eu acho que ainda não é muito conhecida no Brasil, mas, trust me, é foda) por U$21,95 e o óculos tipo gatinho (que já apareceu aqui) por U$12,50. 

Não comprei mais coisas por aquele problema clássico de brechós: não tem opção de tamanho! Ou serve, ou não serve e ponto final. Mas devo admitir que até cogitei comprar algumas coisas para mandar ajustar (ou emagrecer) depois de tão incríveis que eram… 

Saindo de lá, seguimos para a Amarcord Vintage. 

A loja é isso aí da foto! Tem uma outra arara igual a essa do lado oposto e só! Foi até um alívio depois do excesso de informação que foi a Beacon’s. Mas, apesar de ter peças legais, aqui o problema do tamanho não me permitiu nem experimentar as coisas, era tudo minúsculo. A Amarcord é também um pouco mais cara, com peças de U$ 120, U$200, U$500… Por ter menos coisa é preciso dar mais sorte, mas vale a visita. Acabei comprando um broche dourado pela metade do preço, acho que foi U$8,75.

Para encerrar o dia fomos à Buffalo Exchange.

A Buffalo tem uma pegada diferente das anteriores, pois eles trabalham com “recycled fashion”. Oi?!

É assim, você comprou aquela blusa linda, mas nunca usou e não quer simplesmente doa-la, então você a leva até a Buffalo e eles ficam com ela. Daí você pode escolher, ou recebe uma porcentagem do valor que eles estipularam para a venda, ou desconto nas suas compras (tivemos algo inspirado nisso aqui em SP, mas, que eu sabia, não deu muito certo). Existem lojas pelos EUA inteiro, só dar uma olhada no site dos caras.

Como a loja já estava fechando tive que ser muito rápida. Comprei uma regata básica preta por U$12, uma blusa de seda da Ann Taylor por U$18 e esse cardigã da foto (ainda com etiqueta!):

 Gostei bastante da variedade de peças, mas tive dilemas existenciais gravíssimos por conta do barulho dos cabides de metal sendo arrastados nas araras, também de metal. Me perturbou num grau que eu só queria sair correndo dali! Hahaha…

Enfim, espero que tenham gostado e recomendo super uma ida ao Brooklyn para quem estiver de viagem marcada para NY. E, se você continua torcendo o nariz para os brechós, aguarde o próximo post, que será sobre as lojas bacanas do SoHo e de Chelsea.


Nice to meet you Forever 21

Alerta: este post contém fotos péssimas tiradas em provadores feios.


Primeiro dia em NY, não quis nem saber de jet lag! Acordei relativamente cedo e fui fazer o percurso de metrô até o local onde será o curso. Estou hospedada no Brooklyn, por isso levaria cerca de 40 minutos para chegar em Manhattan. Levei mais de uma hora nesse primeiro dia, mas tenho fé que vou parar de me perder no metrô em breve. Apesar de toda empolgação por estar aqui e tal eu fiz uma pequenina besteira: não trouxe guia da cidade! Então, assim que cheguei na porta do prédio do curso não tinha mais nada planejado para o resto do dia! Jênia*, eu sei.

Dei uma olhada no mapa, vi que estava ao lado da Broadway e pensei:

“Por que não ser uma autêntica turista brasileira em NY? Vou pra Times Square!”

Pra quem conhece, ali é repleto de lojas que, em sua maioria, são gigantes. Nessa imensidão de luzes e caixas registradoras ansiosas por turistas eis que me deparo com a famosa Forever 21. Juro que fiquei até emocionada! Hahaha! Seguinte, a última vez que vim para os EUA foi em 2007 e, que eu me lembre, essa loja nem existia. Nos últimos anos ouvi diversos relatos de como essa era a loja mais incrível da estratosfera e morria de curiosidade de conhece-la. Mas, eu tenho sempre uma desconfiança com essas coisas super incríveis que todo mundo ama, pois eu tenho uma alma meio do contra, adoro discordar da maioria.

Acontece que dessa vez a maioria sambou na minha cara, pois eu adorei a Forever! Só pra vocês terem uma ideia, a loja tem 4 andares enormes e eu tomei um susto quando vi o tamanho daquele lugar. Agora, além da quantidade de coisas, obviamente o maior atrativo deles é o preço, pois é ridículo. Ridículo mesmo, do tipo paguei 4 dólares em uma camiseta branca (a minha última havia custado 60 reais na promoção). Apesar das minhas 3 viagens ao provador, acabei levando apenas 5 peças e todas básicas (devo ter provado mais de 30 e de todos os tipos). Abaixo estão algumas fotos, toscamente tiradas naquele provador uó onde as funcionárias ficam gritando e falando palavrões ao invés de te atender. Provei saia mullet, saia longa com tecido transparente por cima, muitas blusinhas e até uma pantalona estampada (na foto).

(essa regata eu comprei e achei rolou um mix de estampas muito interessante com a calça… pena que ela não caiu bem!)

(esse blazer está na wishlist! acabei  pegando o tamanho errado e fiquei com preguiça de voltar para pegar outro quando mudei de andar pois ele estava logo na entrada…)

(me apaixonei por essa estampa, mas não gostei muito do modelo…)

(eu dobrei o forro da saia porque estava desejando muito uma saia transparente, mas fiquei parecendo um balão justamente por causa do tecido transparente por cima…) 

Acabei levando apenas uma camiseta branca, um tricô preto, uma regata ferrugem, uma regata estampada e um blazer meio kimono (essas duas últimas são menos sem graça e eu acabei de tirar mais fotos toscas para mera ilustração).


(acho que não rola ver na foto, mas a parte de trás dela é transparente! <3) 

Emoções a parte, assim como H&M, Topshop e derivadas, a qualidade das roupas é bem contestável. Sinceramente, se você ficou chocada com a mão de obra escrava da Zara não deveria passar nem a 100km da Forever 21, porque ali o bagulho deve ser escravo nível avançado para as coisas poderem custar o que custam. Obviamente os tecidos são todos absolutamente sintéticos o que pra mim, nesse momento, não é interessante já que venho buscando mais qualidade do que quantidade no guarda roupa. O que eu gostei bstante foi da seção de básicos que tem inúmeros modelos de regatas, camisetas e blusas de manga longa de diversas cores (e nessas peças até tem uma porcentagem de algodão). Mas, acho que vale a pena comprar uma coisinha ou outra por ali, especialmente peças que são meros modismos e não precisam durar mais que uma ou duas estações.

Sorry pelo post gigante, mas precisava compartilhar essa experiência! Ia falar de outras lojas, mas elas acabam de ganhar um post novo, porque eu não aguento mais escrever, nem vocês aguentam ler. 

Beijos e até o próximo post!

*Eu sei que gênio é com “g”, essa é apenas uma brincadeirinha de uma amiga que eu acho ótima. 


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