Eu não tô na Vogue

0 notes &

Gostou? E daí?

Estive com uma cliente essa semana que apresentou um dos sintomas mais comuns das clientes: medo das cores. Ou melhor, ela ama cores, mas tem medo de errar na hora de combina-las. Esse medo é recorrente e pode ter inúmeras causas. Nesse caso, foi um episódio em que a cliente ouviu duas garotas comentando sobre a “ousada” combinação de verde e amarelo que ela havia feito para trabalhar. Ao ouvir o impasse das duas amigas no elevador, se a combinação estava boa ou não, a cliente presumiu que estava errada e passou a deixar as cores de lado e usar preto para “não errar”.

Essa é a reação quase que universal às críticas: deixar de fazer aquilo que desagrada (os outros). Por que preferimos nos render ao invés de enfrentar a opinião alheia? Obviamente, isso não tem só uma resposta, mas vou contar para vocês a minha hipótese. Temos uma necessidade enorme de fazer parte de um grupo, sentir que somos iguais a alguém, por isso tudo que é diferente assusta. Ser diferente é “estar errado”, ousar uma mistura de cores (ou texturas) talvez desagrade a maioria. É preciso muita coragem para encarar o resto e dizer: “DANE-SE, essa sou EU”.

                      

Pensamos em agradar os outros antes de nós mesmos pois julgamos as pessoas o tempo todo, então, presumimos, que estamos sendo julgados também. Isso é verdade, somos julgados e julgamos as pessoas na maior parte do tempo, só que ter personalidade é mais forte que tudo isso. Fica muito evidente esse nosso esforço de agradar a todos, por isso acabamos todos iguais, sem identidade, simplesmente usando o que “todo mundo” usa.

Pouco tempo atrás, logo após eu ter passado pelo processo da consultoria de imagem, uma colega de trabalho veio me dizer que eu estava muito careta. Segundo ela, eu havia perdido minha espontaneidade e, resumidamente, estava sem graça. Poucos dias depois, uma outra colega veio comentar como eu estava mais bem vestida. Segundo essa segunda pessoa, eu sempre me vesti bem, mas estava muito melhor nos últimos tempos. Meus queridos, eu lhes pergunto, qual das duas estava certa?

Sinceramente? As duas! A primeira, por ter um estilo mais criativo, estava certa ao notar que eu estava ousando menos. Entretanto, a segunda, que tem um estilo mais clássico, certamente se sentia mais à vontade com meus looks menos ousados.  Agora, qual das duas eu deveria agradar? Nenhuma delas. Dificilmente agradarei a todos com o meu estilo, especialmente como consultora de imagem. Lido com clientes muito diferentes e preciso sempre ter em mente que meu estilo não vai agradar a todas. Lógico que devo estar “neutra” o suficiente para deixa-las à vontade para expressarem suas opiniões, mas nem por isso devo deixar de ser eu mesma. Passei tanto tempo pensando como agradar os outros que acabei deixando minhas vontades de lado. O meu ideal é uma pessoa elegante, mas com toques de criatividade. Será que todos notarão essas sutilezas? Não sei, mas eu estou feliz com elas e é isso que importa. 

(De vez em quando preciso me lembrar que não preciso fazer tudo o que os outros estão fazendo)

É exatamente essa a reflexão que eu proponho nesse momento: vocêprecisa agradar aqueles que estão à sua volta ou o seu espelho (tipo, você mesma)? Pode ser uma decisão muito difícil, mas nem sempre você precisa perder.  Lembre-se: estilo próprio e segurança falam muito mais alto do que a necessidade de ser igual ao resto. ;)

Filed under Auto Estima estilo personalidade consciência consultoria de imagem dica de consultora