Eu não tô na Vogue

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O brega é hype

"O brega é hype" 

Há tempos venho dizendo isso para as pessoas ao meu redor, pois, metida a antropóloga que sou, já vinha notando isso nos meus amigos mais “hypados” (ou antenados, para quem preferir). Moletons cafonas dos anos 90 são objeto de adoração, assim como as jarras de plástico em formato de abacaxi (que chegam a custar 35 reais no shopping e 5 na 25 de março) e a nova diva musical, a mais brega de todas: Gaby Amarantos, que é a personificação da palavra exagero.

                

(Gaby Amarantos)

Antes que você, pessoa hypada, comece a me xingar, entenda que eu não estou criticando de maneira alguma esse movimento. Muito pelo contrário, eu acho interessantíssimo! Estou viciada na novela Cheias de Charme e fiquei apaixonada pela Gaby Amarantos depois de ter lido e ouvido as entrevistas dela para a revista TPM e Trip FM respectivamente. A Gaby representa tão bem esse movimento por ser atrevida, batalhadora, de bem consigo mesma e, acima de tudo, muito inteligente. Pra mim, ela é a cara do povo brasileiro, que também está sendo muito bem representado pelas empreguetes da novela das 7. Até outro dia eu ficava me perguntando o porque do figurino delas ser tão colorido, justo, estampado e etc, até que eu percebi que o figurino delas representa, sei lá, 90% da população brasileira?! Essa é a cara do Brasil: o exagero, as cores, a alegria, a garra.

                                   

Nós, que somos 1% da população, nos achamos no direito de julgar o que está “na moda” ou não, o que é “certo” ou “errado”, mas esquecemos de olhar (e aprender) com a maioria. Na maior parte do tempo nós esquecemos de aprender com os outros e nos lembramos apenas de julgar: ou eu gosto ou não gosto e ponto final. Agora, queridas “apaixonadas por moda desde sempre”, gostar de Chanel é fácil. Vai tentar entender o que está por trás do sucesso da Planet Girls. Achar a Olivia Palermo elegante beira o ridículo de tão óbvio. Por que não tentar desvendar o sucesso das roupas espalhafatosas da Joelma?

(Olivia Palermo / Joelma, Banda Calypso)

Eu posso não gostar de vestir aquilo, mas se tem tanta gente que gosta que tal tentarmos entender o porquê? “Tendência” é o comportamento de alguns que influencia vários, mas geralmente começa nas ruas, não só nas avenues de Paris ou nos becos londrinos, ela pode estar começando bem ao seu lado, mas, por arrogância, você pode estar ignorando-a.

Para mim, Costanza Pascolato disse tudo (neste vídeo que gerou esse post): “Eu não critico nada, eu acho até divertido ver o que as pessoas gostam que eu sempre achei brega. Eu vou entender porque eles gostam e talvez seja bem legal.”

Afinal, minha gente, convenhamos, o Brasil é brega.

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