Eu não tô na Vogue

Oct 20

Confissões de uma ex-shopaholic

Por muito tempo eu busquei soluções mágicas para a minha vida. Eu queria muito encontrar algo externo que provocasse uma revolução interna. O que eu mais desejava era me sentir bem comigo mesma, deixar aquela ansiedade para trás. Durante esse período eu me tornei compulsiva por diversas coisas, mas a que merece destaque nesse texto é a compulsão por compras. Eu passei cerca de 6 ou 7 anos da minha vida estudando ao lado de um shopping, portanto todas as minhas atividades eram feitas por ali mesmo. Eu ia comer no shopping, passear no shopping, assistir um filme no shopping, cabular aula no shopping.

Obviamente todo esse tempo dentro daquele templo do consumo me fez achar que comprar uma coisinha de vez em quando era ok. O problema é que essas “coisinhas” passaram a ser compradas semanalmente e, muitas vezes, diariamente. A compra por impulso cresceu. As pessoas me reconheciam como uma pessoa que tinha necessidade de comprar para viver, se acalmar, ser feliz, faziam piadas e davam apelidos relacionados a essa compulsão. Elas não estavam enxergando quem eu realmente era, apenas uma parte totalmente descontrolada de mim mesma.

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Eu vivia tentando compensar uma perda, uma tristeza, com roupas, sapatos, bolsas… Muitas dessas coisas eu usei uma única vez, outras nem tiveram suas etiquetas retiradas. O prazer que acompanhava a compra era muito efêmero, por isso eu precisava cada dia mais de mais coisas para me darem aqueles minutos de “felicidade”. O contato com outros mundos, de pessoas que tinham muito mais do que eu e de outras que tinham muito menos, me fez perceber como eu estava vivendo uma coisa totalmente fora da realidade. Aquelas blusas não iriam trazer nada do meu passado de volta e os sapatos não me levariam a lugar nenhum se eu, dentro de mim, não soubesse para onde queria ir. Depois de muito trabalho de autoconhecimento eu finalmente posso afirmar que sou uma EX-compradora compulsiva.

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Hoje eu consigo perceber que um vestido novo pode sim me deixar feliz por alguns momentos, mas que ele não vai resolver a minha vida. Minhas compras passaram a ser muito mais conscientes já que a última coisa que eu quero nesse momento é ter centenas de peças que não fazem sentido se acumulando no meu armário. Sim, porque quando compramos para compensar alguma questão emocional essas coisas não fazem sentido algum para a nossa vida. Essas peças compradas não refletem nossos objetivos, desejos ou estilo de vida, elas são meramente uma distração para não encararmos de frente o que realmente importa. E o que realmente importa certamente não está em nenhuma prateleira de nenhuma loja, mas sim muito mais perto do que você pode imaginar. É preciso olhar para dentro de si e ter coragem para conviver com suas qualidades, defeitos, sonhos… Com  tudo aquilo que realmente nos traz momentos sinceros e felizes! :)

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E as suas últimas compras foram feitas por impulso ou de maneira consciente?

Jul 19

As etiquetas não mentem

Sabe aquela etiqueta que fica geralmente na costura lateral das roupas? Você por acaso a corta assim que chega em casa? Então, saiba que isso é super errado! Apesar de incômoda, essa etiqueta traz informações preciosas para o consumidor e precisa estar lá, pois faz parte das exigências do Inmetro para produtos têxteis. As etiquetas devem estar em português e conter dados do fabricante ou do importador, CNPJ, país de origem, composição têxtil, símbolos de cuidados com a conservação e indicação de tamanho.

Vamos começar pelas informações da composição. Adquiri a mania de olhar a composição das peças quando fazia faculdade de moda. Tínhamos aula de tecnologia têxtil e eu queria muito identificar os tecidos pelo toque, então eu passava a mão no tecido e tentava adivinhar o que era, para conferir, precisava olhar na etiqueta. Com os anos fui percebendo que olhar a composição da peça é uma maneira muito eficaz de prevenir compras furadas, ou o famoso “comprar gato por lebre”. Recentemente estive na John John Denim e fiquei apaixonada por uma blusa de cashmere. O modelo era perfeito e, quem acompanha o blog sabe, eu acredito que o cashmere é um investimento pra vida, por isso até estava considerando pagar 498 reais em uma simples blusa. Acontece que além de durável e quentinho, o cashmere é macio e aquela blusa estava pinicando só de enconstar! Fui dar uma olhada na etiqueta e voilá:

 

Com o avanço da tecnologia têxtil está cada vez mais difícil diferenciar uma seda de verdade de um poliéster com cara de seda. Acontece que os preços são sempre altos, por isso é preciso ficar atenta à composição de tudo que você for comprar para ter certeza de que o custo-benefício daquela peça vale o investimento.

A composição também interfere na manutenção da roupa. Uma seda deve ser lavada a mão, já o poliéster pode ser lavado na máquina. Aí entramos na segunda parte importante das etiquetas: cuidados para conservação da peça. Apesar de parecer grego para muita gente aqueles pequenos desenhos ajudam muito na hora de lavar, secar e passar suas roupas. Abaixo tem duas tabelas que resumem os processos de lavagem normal e a seco.

Caso tenha dúvidas recorrentes, imprima essas tabelinhas e deixe-as coladas na parede da lavanderia para dar uma espiada de vez em quando! Mas, com o tempo, você se acostuma e decora o que cada símbolo significa. Seguindo direitinho o processo de manutenção você evita o desgaste e grandes estragos. :)

Para quem detesta as etiquetas eu tenho uma sugestão, que ainda não coloquei em prática por pura preguiça, cortar as etiquetas mas guarda-las identificando a que peça ela pertence. Eu imagino um fichário com a foto da peça e a etiqueta correspondente ao lado, ou um versão virtual disso em uma planilha do Excel. O que acontece também é que muitas peças devem ser cuidadas da mesma maneira, então é possível criar “grupos de etiqueta” e adicionar a lista de peças embaixo dos símbolos, que tal? Se alguém fizer, me manda foto pra ver se eu me inspiro? Hehehe…


Fonte:

"Saiba o que significam os símbolos nas etiquetas das roupas", G1

"Entenda os símbolos nas etiquetas de roupas", BBel

"Cartilha orienta lojistas sobre etiquetas", Adcon

Jul 12

Gostou? E daí?

Estive com uma cliente essa semana que apresentou um dos sintomas mais comuns das clientes: medo das cores. Ou melhor, ela ama cores, mas tem medo de errar na hora de combina-las. Esse medo é recorrente e pode ter inúmeras causas. Nesse caso, foi um episódio em que a cliente ouviu duas garotas comentando sobre a “ousada” combinação de verde e amarelo que ela havia feito para trabalhar. Ao ouvir o impasse das duas amigas no elevador, se a combinação estava boa ou não, a cliente presumiu que estava errada e passou a deixar as cores de lado e usar preto para “não errar”.

Essa é a reação quase que universal às críticas: deixar de fazer aquilo que desagrada (os outros). Por que preferimos nos render ao invés de enfrentar a opinião alheia? Obviamente, isso não tem só uma resposta, mas vou contar para vocês a minha hipótese. Temos uma necessidade enorme de fazer parte de um grupo, sentir que somos iguais a alguém, por isso tudo que é diferente assusta. Ser diferente é “estar errado”, ousar uma mistura de cores (ou texturas) talvez desagrade a maioria. É preciso muita coragem para encarar o resto e dizer: “DANE-SE, essa sou EU”.

                      

Pensamos em agradar os outros antes de nós mesmos pois julgamos as pessoas o tempo todo, então, presumimos, que estamos sendo julgados também. Isso é verdade, somos julgados e julgamos as pessoas na maior parte do tempo, só que ter personalidade é mais forte que tudo isso. Fica muito evidente esse nosso esforço de agradar a todos, por isso acabamos todos iguais, sem identidade, simplesmente usando o que “todo mundo” usa.

Pouco tempo atrás, logo após eu ter passado pelo processo da consultoria de imagem, uma colega de trabalho veio me dizer que eu estava muito careta. Segundo ela, eu havia perdido minha espontaneidade e, resumidamente, estava sem graça. Poucos dias depois, uma outra colega veio comentar como eu estava mais bem vestida. Segundo essa segunda pessoa, eu sempre me vesti bem, mas estava muito melhor nos últimos tempos. Meus queridos, eu lhes pergunto, qual das duas estava certa?

Sinceramente? As duas! A primeira, por ter um estilo mais criativo, estava certa ao notar que eu estava ousando menos. Entretanto, a segunda, que tem um estilo mais clássico, certamente se sentia mais à vontade com meus looks menos ousados.  Agora, qual das duas eu deveria agradar? Nenhuma delas. Dificilmente agradarei a todos com o meu estilo, especialmente como consultora de imagem. Lido com clientes muito diferentes e preciso sempre ter em mente que meu estilo não vai agradar a todas. Lógico que devo estar “neutra” o suficiente para deixa-las à vontade para expressarem suas opiniões, mas nem por isso devo deixar de ser eu mesma. Passei tanto tempo pensando como agradar os outros que acabei deixando minhas vontades de lado. O meu ideal é uma pessoa elegante, mas com toques de criatividade. Será que todos notarão essas sutilezas? Não sei, mas eu estou feliz com elas e é isso que importa. 

(De vez em quando preciso me lembrar que não preciso fazer tudo o que os outros estão fazendo)

É exatamente essa a reflexão que eu proponho nesse momento: vocêprecisa agradar aqueles que estão à sua volta ou o seu espelho (tipo, você mesma)? Pode ser uma decisão muito difícil, mas nem sempre você precisa perder.  Lembre-se: estilo próprio e segurança falam muito mais alto do que a necessidade de ser igual ao resto. ;)

Jun 18

O brega é hype

"O brega é hype" 

Há tempos venho dizendo isso para as pessoas ao meu redor, pois, metida a antropóloga que sou, já vinha notando isso nos meus amigos mais “hypados” (ou antenados, para quem preferir). Moletons cafonas dos anos 90 são objeto de adoração, assim como as jarras de plástico em formato de abacaxi (que chegam a custar 35 reais no shopping e 5 na 25 de março) e a nova diva musical, a mais brega de todas: Gaby Amarantos, que é a personificação da palavra exagero.

                

(Gaby Amarantos)

Antes que você, pessoa hypada, comece a me xingar, entenda que eu não estou criticando de maneira alguma esse movimento. Muito pelo contrário, eu acho interessantíssimo! Estou viciada na novela Cheias de Charme e fiquei apaixonada pela Gaby Amarantos depois de ter lido e ouvido as entrevistas dela para a revista TPM e Trip FM respectivamente. A Gaby representa tão bem esse movimento por ser atrevida, batalhadora, de bem consigo mesma e, acima de tudo, muito inteligente. Pra mim, ela é a cara do povo brasileiro, que também está sendo muito bem representado pelas empreguetes da novela das 7. Até outro dia eu ficava me perguntando o porque do figurino delas ser tão colorido, justo, estampado e etc, até que eu percebi que o figurino delas representa, sei lá, 90% da população brasileira?! Essa é a cara do Brasil: o exagero, as cores, a alegria, a garra.

                                   

Nós, que somos 1% da população, nos achamos no direito de julgar o que está “na moda” ou não, o que é “certo” ou “errado”, mas esquecemos de olhar (e aprender) com a maioria. Na maior parte do tempo nós esquecemos de aprender com os outros e nos lembramos apenas de julgar: ou eu gosto ou não gosto e ponto final. Agora, queridas “apaixonadas por moda desde sempre”, gostar de Chanel é fácil. Vai tentar entender o que está por trás do sucesso da Planet Girls. Achar a Olivia Palermo elegante beira o ridículo de tão óbvio. Por que não tentar desvendar o sucesso das roupas espalhafatosas da Joelma?

(Olivia Palermo / Joelma, Banda Calypso)

Eu posso não gostar de vestir aquilo, mas se tem tanta gente que gosta que tal tentarmos entender o porquê? “Tendência” é o comportamento de alguns que influencia vários, mas geralmente começa nas ruas, não só nas avenues de Paris ou nos becos londrinos, ela pode estar começando bem ao seu lado, mas, por arrogância, você pode estar ignorando-a.

Para mim, Costanza Pascolato disse tudo (neste vídeo que gerou esse post): “Eu não critico nada, eu acho até divertido ver o que as pessoas gostam que eu sempre achei brega. Eu vou entender porque eles gostam e talvez seja bem legal.”

Afinal, minha gente, convenhamos, o Brasil é brega.

Jun 12

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May 29

Aprisionadas ao passado

Provavelmente uma das coisas mais difíceis da vida são as mudanças. Ao mesmo tempo, elas são aquilo que fazem a nossa existência ser ultra interessante. Já pensou se você vivesse presa na mesma rotina desde o dia que nasceu? Seria terrível! Por isso, somos seres que precisam de mudanças. Acontece que nem sempre as aceitamos logo de cara, o que pode vir a se tornar um grande empecilho no nosso dia a dia.

Conheci recentemente duas mulheres que tinham um grande problema em aceitar que suas vidas, rotinas e corpos haviam mudado depois que se tornaram mães e isso me fez parar para pensar em como temos dificuldade em aceitar determinadas coisas, especialmente no que diz respeito ao nosso corpo e estilo. Ambas estavam presas à imagem daquilo que eram antes dos filhos e ficaram muito incomodadas quando eu mencionei que elas deveriam se adaptar a essa nova fase da vida. Me lembro que eu também já passei por isso, não com filhos, mas com um novo peso. Lembram que eu comentei sobre minha mudança de estilo durante meu intercâmbio aos 16 anos? Pois bem, meu visual tornou-se insustentável não apenas por causa da nova rotina, mas também por causa do novo peso, eu engordei 13 quilos em menos de 3 meses. A menina bonitinha que só usava saias passou a ter vergonha de suas pernas e seu manequim passou de 38 a 44.

É preciso coragem para crescer e se tornar quem você realmente é" - E.E. Cummings

Não foi nem um pouco fácil e eu passei anos lutando contra a balança. Fiz todo tipo de dieta, exercício e até tomei remédios, mas depois que emagrecia sempre acabava ganhando novamente alguns quilos. Há cerca de 1 ano eu emagreci um pouco após um período de grande estresse e vi que estava bem. Algumas roupas voltaram a caber, e as que não voltaram, eu mandei embora, pois eu cansei de me torturar olhando para aquelas coisas de quando eu pesava 10 quilos a menos. Resolvi me aceitar com todos os defeitos e qualidades que, obviamente, eu ainda possuo. Por quê? Por que eu evoluí. Eu cresci e assimilei duas coisas: primeira, eu amo comer e, segunda, eu odeio praticar exercícios. Portanto, é assim, nenhum milagre vai acontecer, mas eu aceito isso. Não vou mentir dizendo que não espero o dia em que algo natural e milagroso vá surgir e me fazer emagrecer dormindo, mas minha vida não depende mais disso, pois eu estou bem comigo mesma e defini outras prioridades para a minha vida. Ainda acho que deveria praticar exercícios por uma questão de saúde, mas isso é outro assunto…

Não acho que as pessoas devam simplesmente engordar, por exemplo, e se acostumar com isso, mas elas precisam ter metas reais. Se eu como e não malho, é um pouco óbvio que não vou emagrecer, mas ok, eu sei disso e vou trabalhar com aquilo que sou nesse momento. Já ouvi muita gente dizer que não compraria roupas novas que se adequem ao seu novo estilo de vida, pois elas ainda vão voltar a ser aquilo que eram. Acho esse o pior dos enganos, já que considero impossível voltarmos a ser aquilo que já fomos um dia. Não tem aquela história que nunca nos banhamos na mesma água de um rio, pois nunca é a mesma água? Então, no caso do peso, você pode até emagrecer, mas nunca mais será aquela mesma pessoa, pois já terá passado por tantos desafios que será uma pessoa diferente, evoluída, com novos gostos e objetivos.

No caso de quem tem filho isso  é ainda mais real, pois a mulher não voltará a ser uma “não-mãe”, ela pode emagrecer o que engordou durante a gravidez, mas sua vida é diferente agora, e seu guarda roupa deve acompanha-la. O mesmo vale para mudanças de emprego, cidade, país e até namorado ou marido! Vivemos em constante evolução porque isso é a vida. E ficar vivendo no passado só torna as coisas muito mais difíceis. Então, que tal dar uma olhada no espelho e ver quem você é hoje? Essa tarefa não é fácil, mas é super rica e pode ajudar muito na hora de definir qual é a sua mensagem para o mundo. E, lembre-se, a consultoria de imagem pode dar um belo help nesse momento de aceitação. ;)

May 24

Diferente como você

Alguns anos atrás (não me acostumo a dizer isso, pra mim parece que foi tudo ontem), meu namorado me deu um livro infantil muito fofo chamado “Diferente como Chanel”. Eu AMEI, pois sou completamente apaixonada pela Chanel. Mas, calma, não amo (só) as bolsas e roupas, quem eu amo mesmo é a Mademoiselle. Para mim, Gabrielle Coco Chanel é a mulher mais incrível que já existiu na face dessa terra por ser ousada, determinada, inteligente e inovadora. Uma vez fiz uma apresentação sobre ela na faculdade e acabei descobrindo que até o bronzeado foi ela quem popularizou (na época o chique mesmo era ir pra praia e ficar branquela).

Lembrei desse livro em uma das minhas “noites pensantes” (por que insônia é ruim, mas pensar não) e resolvi dar uma olhadinha nele. Como é um livro infantil terminei em 10 minutos, mas estou há uns dois dias pensando incessantemente no seu conteúdo. Livros infantis geralmente mostram situações vividas por todos nós, mas de uma maneira mais leve, por isso podem ser excelentes pontos de partida para refletirmos sobre algumas coisas que esquecemos de vez em quando. E ser diferente é uma delas. Durante nossa adolescência passamos a receber muitas influências externas, além das da nossa família. São amigos, inimigos, tv, ídolos, professores, etc. Acontece que é um momento em que a única coisa que nos interessa é ser igual a alguém, pois isso está na natureza do ser humano, precisamos ter essa sensação de pertencimento, fazer parte de um grupo é fundamental e o jeito mais fácil de identificar grupos é pelo que vestem e como se comportam. O problema é que com o passar dos anos nós começamos a desejar exatamente o oposto disso, e ser diferente torna-se muito mais importante.

Acontece que, depois de tanto tempo sendo outra coisa, fica difícil saber de fato o que é você e o que é dos outros. Por exemplo, eu sempre fui fresca e, com 15 anos, eu tinha o cabelo super comprido e loiro e usava roupas predominantemente da cor rosa, justas, com brincos gigantes e saltos mais ainda. Com 16, eu fui fazer intercâmbio na Austrália e esse visual era insustentável, então eu fui forçada a me adaptar. No final dos seis meses de viagem eu e uma das minhas amigas de lá decidimos que ao voltar para o Brasil nós não queríamos mais ser iguais a todo mundo, nó queríamos ser diferentes, ter nosso próprio estilo, por isso não seríamos mais influenciadas pela opinião alheia. Profundo, né? Porém difícil. Já faz quase dez anos, e só agora que eu entendi que esse nosso objetivo é impossível.

Beatriz Helena, você está louca? Você é consultora de imagem, defende a busca pelo próprio estilo e está dizendo que isso é impossível? Yep, hoje eu acredito que seja absolutamente impossível não receber nenhum tipo de influência externa para compor nosso estilo.

Entretanto, isso não significa que você tenha que ser igual às pessoas. É possível ser influenciado, ou melhor, buscar inspiração nos outros, e adaptar isso ao seu jeito. Aliás, isso sim é estilo: saber qual é a sua maneira de usar as coisas. Era isso que Coco Chanel fazia. Para citar um exemplo, ela viu os marinheiros usando a camiseta listrada e a adaptou para as mulheres, que a usam até hoje. Ela era pobre quando menina, mas nem por isso deixou as damas da sociedade passarem por cima dela, muito pelo contrário, tornou-se muito maior do que todas elas juntas. Isso é chique, isso é elegante, ser você mesma. Tudo bem querer aquele casaco que foi desfilado na última fashion week, mas não se esqueça de dar o seu toque pessoal. E para dar seu toque é preciso se conhecer e se sentir bem consigo mesma. É importante ouvir o que os outros dizem, isso ajuda no processo de autoconhecimento, mas não precisa levar tudo tão a sério! O importante é sempre ser fiel aos seus gostos, porque mulher segura de si é a coisa mais linda que existe! Esse é um exercício constante, mas que vale a pena. ;)

May 08

Como usar: lenço + bolsa

Não é novidade nenhuma minha paixão por lenços… Um tempão atrás até defini que os lenços seriam meu signature look, por isso vivo em busca de novas maneiras de usa-los. Além das amarrações diferentes, eles podem ser inseridos em outros pontos do look, como na bolsa. A seguir estão os jeitos que eu mais uso, ou ainda vou usar!

Lenço na alça I

Provavelmente a maneira mais fácil, rápida e versátil de usar um lenço na bolsa é dando um nó simples na alça. Não importa o tamanho do lenço, nem da bolsa, totalmente democrático! Isso é um jeito ótimo para mudar a cara daquela bolsa que você sempre usa, ou para começar a brincar com cores e texturas sem se arriscar muito.

Lenço na alça II

Outra maneira que fica super chique é enrolar o lenço na alça da bolsa. Vi isso em algum site de streetstyle e era uma bolsa Kelly da Hermès, que tem a alça mais curta. Como estou bem longe de ter uma Kelly, adaptei o uso à essa Longchamp, que é minha bolsa mais básica e que também tem alça curta. Esse lenço precisa ser grande para você conseguir enrolar na alça toda, eu uso esse que é um quadrado de seda de uns 50x50cm, por que daí dá para arrematar com um nó e e deixar as pontas penduradas.

Lenço como alça I

Essa é uma das bolsas mais fofas que eu tenho, mas, por ter sido comprada em um brechó em Paris (gente, quando eu tinha uns 15 anos era meu sonho falar isso!), ela veio sem alça. Apesar de ser bonitinho segura-la pela alça curta, é pouco prático, então eu resolvi dar uma alça mais do que charmosa para ela: um lenço! Nesse caso, o lenço tem que ser tipo echarpe (aquele retângulo beeem longo e mais estreito) para dar o comprimento e não ficar com muito excesso de tecido em nenhum pedaço. É só dar um nó nas pontas e deixa-lo na parte de dentro da bolsa, embaixo da aba de abertura. (Ao abrir a bolsa segure-a pela parte debaixo, pois se o lenço estiver pendurado no seu ombro ela pode cair!)

Esse jeito também funciona para carteiras, quando você está com preguiça de ficar segurando-as…

Lenço como alça II

Comprei essa bolsinha fofa ano passado, na feirinha da Pompeia. Ela é daquelas que você muda a alça, sabe? Que tem uma mais curta e uma mais longa, por isso já vem com umas alcinhas dentro, o que só facilitou minha vida! É só pegar um lenço pequeno (esse é um quadrado de 10x10cm) e dar um nozinho na própria alcinha interna dela. Além de alça, o lenço ainda faz as vezes de pulseira quando está no pulso! 

Lenço como detalhe

Um dos jeitos mais charmosos de usar, na minha opinião, é amarrar o lenço em volta de uma clutch! Ele pode se tornar pouco prático na hora de abrir a bolsa, mas agrega tanto estilo ao look que a gente até esquece dessa parte… (tem gente que anda com sapato um número menor, o que é um lencinho no meio do zíper, né?) Qualquer lenço pode ser usado, depende do seu gosto, se quiser deixar mais pontas, use um lenço maior, mas se quiser deixar só o nozinho, um lenço menor também serve!

May 04

Graciella Starling no Bride Style

Na quinta feira passada eu fui ao Bride Style, a fashion week das noivas, que rolou ali na Bienal. Não, eu não pretendo me casar no momento, mas fui convidada pela Graciella Starling para ir ver seu primeiro desfile e não pude recusar!

Antes do evento, quem é Graciella Starling? Eu a conheci totalmente por acaso, mas me apaixonei instantaneamente por seu trabalho. Louca que sou por adereços para a cabeça não podia deixar de entrar na lojinha fofa cheia de chapéus e casquetes na vitrine, né? Em minutos descobri que aquele lugar abrigava muito mais do que aquelas tiarinhas trabalhadas que vemos por aí, pois aquela menina realmente criava peças absolutamente maravilhosas!

Ficamos um tempão conversando sobre como as brasileiras ainda não têm o costume de usar casquetes, mas que em festas e, especialmente, casamentos, esse cenário está começando a mudar. Por ter percebido isso, a Graciella resolveu adaptar um espaço em seu atelier justamente para atender essa clientela mais do que especial. E assim, ela foi parar no Bride Style para fazer seu primeiro desfile de alta chapelaria (possivelmente o primeiro do Brasil também…).

Apresentações feitas, vamos às fotos do desfile.

Até tirei algumas fotos com a minha câmera, mas acabei pegando as do face da Graci pois estão mais profissa:





Esse da direita até me deu vontade de casar….. pronto, passou!

Graciella Starling no backstage do desfile


Eu achei incrível! Ela mostrou toda versatilidade e criatividade do seu trabalho e foi lindo. Acho que o evento tinha um público bem careta, que nem entende muito bem a teatralidade de um desfile, mas é bom dar um choque no povo de vez em quando, quem sabe assim as pessoas não percebem que o mundo é cheio de coisas diferentes e bacanérrimas, né?

Sempre falo que se algum dia eu casar quero um vestido simples, mas um arranjo maravilhoso na cabeça (e agora eu já sei exatamente onde procurar caso esse dia chegue).

Apr 25

Todos falam sobre: #46naoentra

Ontem, dia 24/04, rolou mais uma polêmica fashion no Twitter. Por estar brincando de Hulk com meu irmão de 3 anos, eu perdi. Mas, antes tarde do que nunca, vamos lá, vou dar a minha opinião.

 Para quem não sabe o que aconteceu, é o seguinte: Alice Ferraz, responsável pela F*Hits (rede de blogueiras top), saiu em uma reportagem na Istoé Dinheiro que falava sobre os blogs como investimento para as marcas que agora não precisam mais se preocupar apenas com o que está sendo dito nas revistas, mas também com o que essas blogueiras super influenciadoras estão usando e falando. A parceria da Alice com essas blogueiras rendeu a F*Hits Shops, um site “exclusivo” que vende os looks das moçoilas. Acontece que para se cadastrar (ser aceito) é preciso responder algumas perguntas, inclusive o tamanho do seu manequim, mas as opções só vão até o tamanho 46. E é assim que está na reportagem:

A rede se desenvolveu e conta, desde janeiro, com uma plataforma própria de comércio eletrônico, o F*Hits Shops, cujo acesso é restrito. Ela funciona da seguinte forma: para acessá-la, a consumidora deve preencher um cadastro com informações sobre seu manequim. Se usar roupas menores que o tamanho 46, a candidata tem chances de ser aceita.”

(Alice Ferraz - foto do artigo da Istoé Dinheiro)

 Ooooopa, como assim? Então, se você usa tamanho 48 não pode usar as mesmas coisas que as blogueiras? Virou trending topics imediatamente, com milhares de pessoas usando a hashtag #46nãoentra. Dei uma pesquisada antes de escrever esse post e minha conclusão é a seguinte: o problema vai muito além do artigo ou da F* Hits Shops. Alice Ferraz foi o bode expiatório para a indústria da moda. Não, não estou defendendo-a, acho a ideia da loja com os looks muito boa do ponto de vista de negócio, mas isso não justifica. (Aliás, acho muito mais interessante do que as “dicas” que as top blogueiras recebem prontas para publicar, me parece ser mais verdadeiro, ela usa isso e ponto final. Um look custa R$ 3.000,00? Mas é a realidade dela e ponto, é mais digno do que ela dizer que está louca pelo vestidinho básico da Marisa, de apenas R$59,90. Essas blogueiras não possuem mais opinião, elas possuem um preço.)

De qualquer maneira, o meu blog (assim como tantos outros) é sobre isso, sobre as pessoas que se sentem “esquecidas” pelo mundo da moda. E não adianta reclamar, esse tipo de blogueira se tornou mídia, tanto que muitas delas aparecem nas revistas como referência de pessoas reais, mas não são reais para a maioria das pessoas. Acho muito justo o debate, mas acredito muito no “poder do povo”, então, se a massa está endeusando pessoas que não se parecem com elas, que na verdade são mais do mesmo, é porque é isso que elas precisam. Mesmo com tantas críticas continuamos comprando revistas com modelos esquálidas e visitando blogs de meninas tão esquálidas quanto. Na boa, tem centenas de páginas por aí dedicadas a pessoas reais, mas quase nenhuma delas ganha destaque, por quê? Por que as pessoas querem sair da rotina delas, querem sonhar, querem ser tão magras quanto fulana, ou ter tal roupa e viver igual a ciclana.

(Tanesha, do blog Girl with Curves)

(Nicolette, do blog Nicolette Mason)

Resumimos o mundo a algumas marcas e empresas que realmente, não estão nem aí para os “marginalizados”, pois elas continuam ganhando dinheiro possuindo tamanho “x” ou não, aliás, foi essa a justificativa da Alice: “não disponibilizamos roupa nesse tamanho porque as marcas não fazem”. Pode parecer cruel, mas esse é o mundo capitalista em que vivemos e por enquanto não tem muito o que fazer além de buscar alternativas. A Zara não faz roupa tamanho “x”? Então procure quem venda, encontre uma costureira incrível que faça sob medida! Isso não é justificativa para não se vestir bem! Existem milhares de pessoas talentosas por aí, mas nós temos preguiça e queremos ter aquilo que “todo mundo” tem. E aí entramos na falta de estilo das pessoas, mas isso é assunto para um post inteiro…

Não sei se viajei muito, mas foi tudo isso que eu pensei ao ver tal polêmica. Alguém se manifesta?

*Para ver o que os envolvidos na trama disseram: Alice Ferraz e o jornalista